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A pessoa sai de Muribeca, mas Muribeca nunca sai da pessoa



Escrito por Renata às 11h33
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Os três melhores começos de livro de que eu me lembro agora, assim, de supetão

A Metamorfose - Franz Kafka
"Quando certa manhã Gregório Samsa despertou, depois de um sono intranqüilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto. Estava deitado sobre a dura carapaça de suas costas, e ao erguer um pouco a cabeça viu a figura convexa de seu ventre escuro, sulcado por pronunciadas ondulações, cuja proeminência a colcha mal podia agüentar, que estava visivelmente a ponto de escorrer até o solo. Inúmears patas, lamentavelmente esquálidas em comparação com a grossura comum de suas pernas, ofereciam a seus olhos o espetáculo de uma agitação sem consistência."


Lolita - Vladimir Nobokov
"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta."


Cem anos de solidão - Gabriel García-Márquez
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo".



Escrito por Renata às 18h17
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Ah, a América Latina!

Eu sei, eu sei que eu tô devendo um post com as fotos da viagem. Mas tão pensando que ficar com dois empregos é fácil?!? Enquanto o negócio não se acalma, uma canjinha pra vocês.

BUENOS AIRES - Enquanto uns trabalham duro, outros aproveitam o sol pra tirar uma siesta.

 

Tango quase de graça na Calle Florida.

 

O topo do mundo, em Montevidéu

 

Valle Nevado é o que há. Tô falando da neve, é claro.



Escrito por Renata às 18h58
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O tempo passa, o tempo voa

Se, em 1998, ano em que eu entrei na faculdade, alguém me dissesse que em 2006 eu estaria:

- Casada

- Usando pó compacto com protetor solar

- Comprando melissinhas coloridas

- Com o cabelo curto

- Morando na Boa Vista

- Andando pela cidade de terninho

- Trocando jornal por emprego público

Minha resposta seria:

"Vai tomar no cu, menino, tá doido!!!"

 

Assumindo sua porção vogon, Renata entra para a máquina burocrática estatal



Escrito por Renata às 18h56
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Muita calma neste momento

Eu sempre soube que o nome Renata ia acabar virando tema de música, Latino que não me deixe mentir. Mas qual não foi minha emoção, ontem ao entrar na Livraria Cultura e me deparar com o disco novo dele, Chico Buarque. Tá lá, na faixa nove. E não é uma Renata qualquer não. É Renata Maria. Desculpem as Brunas, Robertas, Andréas, Márcias, Flávias, Júlias, Julianas e todas as outras que ainda não têm esta honra. Foi mal aí, mas agora é Dona Renata pra vocês.

Renata Maria

Ela era ela era ela no centro da tela daquela manhã
Tudo o que não era ela se desvaneceu
Cristo, montanhas, florestas, acácias, ipês

Pranchas coladas na crista das ondas, as ondas suspensas no ar
Pássaros cristalizados no branco do céu
E eu, atolado na areia, perdia meus pés

Músicas imaginei
Mas o assombro gelou
Na minha boca as palavras que eu ia falar
Nem uma brisa soprou
Enquanto Renata Maria saia do mar

Dia após dia na praia com olhos vazados de já não a ver
Quieto como um pescador a juntar seus anzóis
Ou como algum salva-vidas no banco dos réus

Noite na praia deserta, deserta, deserta daquela mulher
Praia repleta de rastros em mil direções
Penso que todos os passos perdidos são meus

Eu já sabia, meu Deus
Tão fulgurante visão
Não se produz duas vezes no mesmo lugar
Mas que danado fui eu
Enquanto Renata Maria Saia do mar



Escrito por Renata às 21h10
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El Futból

Tempo de copa do mundo e eu aqui mochilando pelo cone sul, o território inimigo. Na bagagem, o livro é Nunca houve um homem como Heleno, o primeiro e provavelmente o pior bad boy que o futebol mundial já pariu. Heleno de Freitas era botafoguense roxo, mas era tao destemperado que nem seus gols inacreditáveis conseguiram amenizar o fato de que ele era expulso jogo sim, outro também. Fora que xingava todo mundo, da torcida ao vendedor de amendoim, do árbitro ao cartola, do zagueiro adversário ao seu próprio companheiro de ataque. Fazia outros jogadores chorarem de tanta humilhacao.

Mas, diz o livro, Heleno era um gentleman fora do campo. Bem educado, advogado, fluente em outras línguas, bom bebedor, um Casanova. E assim, um belo dia, Heleno foi contratado pelo Boca Juniors, que vem a ser uma espécie de Flamengo argentino - ou pior, porque o Flamengo tem uma concorrencia boa de outros times (eu poderia citar o Sport Club do Recife), e o Boca só tem o River Plate, que nao chega nem aos pés em termos de fanatismo. Maradona jogou no Boca. Precisa dizer mais?

Precisa, porque eu fui até o bairro de La Boca, em Buenos Aires, especialmente para visitar o Museu da Paixao Boquense e o estádio deles, o La Bombonera. Clima de copa, longe de casa, sabe como é. A gente fica meio emotivo, e chora até com as glórias no inimigo. Me explica a guia que Diego (esse mesmo) pagou 300 mil dólares para ter uma cadeira cativa nas sociais da Bombonera pro resto da vida. E, como Diego, outros 65 mil argentinos pagam por suas cadeiras cativas no início do ano. De modos que, quem nao é sócio (ou até eles mesmos) nao tem chance alguma de ver uma partida do Boca na Bomboneira, que só tem 50 e poucos mil lugares.

Pois entao, no meio de um paredao com fotos de todos os jogadores que já defenderam o Boca, eu resolvi me ocupar de procurar Heleno de Freitas. E achei ele lá, bem perto do chao. O que me lembra de outra pasagem de livro, uma em que Nelson Rodrigues escreve uma cronica falando dos boatos correntes na época, de que uma tal de Eva Perón estava apaixonada por Heleno, motivo pelo qual o jogador recebia, no início de todas as partidas, um misterioso buque de rosas brancas. Vá entender, com tanto argentino bonito.

Esse post nao tá indo pra lugar nenhum, né? Entao, pra terminar, devo confensar que hoje fui ao Estadio Centenário, em Montevideu, onde foi jogada a primeira final de Copa do Mundo. Tá lá, no Museo do Futból, a camisa que Pelé usou na final de 1958. Mas tá lá também uma colecao inacreditável de quinquilharias sobre a final de 1950. Essa mesma, nosso vexame eterno. Mas valeu subir na torre do estádio para tirar umas fotos de Montevideu.

Amanha parto para Santiago. Se nao der preguica, mando notícias andinas.



Escrito por Renata às 22h00
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É tudo mentira

Quatro da tarde em Buenos Aires e a cidade não parou para ver a seleção nacional jogar contra a Costa do Marfim.

Leia a frase de novo, que tem um não no meio dela.

Os argentinos podem até gostar de futebol, mas loucos somos nós, que fechamos até hospital por causa da Copa do Mundo, eles não são. Prova disso é que eu estava em pleno Shopping Abasto (tipo um Paço Alfândega turbinado) vendo A Profecia - ou melhor, La Profecia - exatamente na hora do jogo. Meu amigo André me corrija, mas acho que os multiplexes de Recife tem um estatuto estabalecendo que os cinemas não abrem em dia de jogo do Brasil em copa.

Mito falso número dois: não, eles não destestam os brasileiros. No mesmo Shopping Abasto, a maior loja de esportes da calle tem uma propaganda enorme com... Ronaldo. Isso mesmo, numa das avenidas mais movimentadas de Buenos Aires, é o nosso fenômeno, e não Maradona, que está eternizado num painel chutando uma pelota. Pra completar, a maioria das lojas esportivas tem camisas da seleção brasileira logo na vitrine.

Precisam aprender com a gente, bobinhos.

***

Uma coisa tem me chamado a atenção aqui em Buenos Aires. Aparentemente, os argentinos adoram escrever nas paredes. Não, não são pichações. Eles escrevem mesmo, letras pequenas, com giz de cera, nada de spray fluorescente. Aqui em San Telmo, é difícil não encontrar uma parede com alguma legenda embutida.

A que mais me chamou a atenção foi uma que aparece em verde-bandeira-do-Brasil a cada 200 metros. No Bailarás. Talvez um aviso pros brasileiros incautos que chegam na terra do Tango achando que samba dá pra alguma coisa. Soa meio como que um décimo-primeiro mandamento, não? Thou shall not dance. Amanhã irei a uma milonga - um clube de Tango tradicional, pero sem as pirotecnias para turistas. E, por via das dúvidas, seguirei o conselho: no bailarei.

***

Essa é só para as meninas:

Putaquepariu, como tem homem bonito nessa cidade. Deve ser o lugar com a pior proporção homem-bonito/mulher-feia de todo o planeta!!!



Escrito por Renata às 20h22
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Premonição

Flavão tem três tipos de sonhos:
1) Ele está em algum lugar, quer falar comigo mas eu nunca atendo o telefone
2) Ele vai a um sebo de quadrinhos e encontra todas as revistas que ele vendeu quando era adolescente e achava de desenho não ia dar em nada
3) Os que parecem motivados por viagens de ácido.

A gente estava em Peroba neste final de semana, e eu acordo na manhã de domingo com Flavão narrando um sonho da categoria número 3. Um amigo (ele não sabe quem) nos convidava para ir ao morro (também não sabe qual). Quando a gente chega lá, encontramos uma puta mansão com vista para o estádio da Ilha do Retiro. Aí descobrimos que o anfitrião, além de ser um porre, é Bruce Wayne (!!!). Flavão passava o sonho inteiro cochichando pra mim "ele é o Batman!" ou algo que o valha. Mas o mais importante vem agora: a gente via a final do campeonato pernambucano lá de cima do morro. E, apesar da mente tricolor que inventou tudo isso, era o Sport que levava a taça. Cazá, cazá, cazá!



Escrito por Renata às 14h28
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É impressionante como tem gente burra neste planeta

Fundada em 1954 por Lafayette Ronald Rubbard (1911-1986), um escritor de livros de ficção científica, a cientologia mistura elementos de várias religiões, como hinduísmo, budismo e cristianismo. Os fiéis acreditam que a vida na Terra começou com uma deportação interplanetária em massa.

De acordo com o cientologistas, há 75 milhões de anos o maligno Lorde Xenu comandava 75 planetas superpovoados em galáxias próximas da Terra. Para resolver o problema, ele mandou 13,5 trilhões desses ETs para cá e os atirou sobre vulcões. Lá, eles se transformaram em espíritos chamados thetans, que hoje habitam os corpos dos seres humanos.

Esse texto eu tirei de uma matéria na Época desta semana sobre a igreja que salvou Tom Cruise da dislexia e o atirou num profundo poço de imbecilidade aguda. E tome dinheiro no pé do cipa. Entre essa explicação e à da origem da Terra Média, eu prefiro ficar com Sauron e aprender a falar élfico. Tô até pensando em operar as orelhas pra deixá-las pontudas...



Escrito por Renata às 10h07
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Despertador biológico automático

Eram 5h30 quando Medéia meio lamber minha orelha.



Escrito por Renata às 13h38
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Se escrever já é difícil, acho que escrever pra criança é ainda pior. Porque é muito fácil cair em clichês, apelar para os diminutivos, bichinhos fofinhos ou a eterna luta do bem contra o mal. Comprei o livro Crônicas de Nárnia e me arrependi amargamente (que história chata do caralho!). Mas nada como uma boa surpresa depois de uma golada. Depois de ver o filme ano passado, resolvi comprar o primeiro livro da série Desventuras em Série, e neste final de semana acabei de ler o segundo, esse aí em cima. Putz, muito bom. O melhor exemplo de como se pode escrever para um público infantil sem ser infatilóide. Os adultos (também eles) agradecem.



Escrito por Renata às 10h18
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Eu ia...

...pra Buenos Aires hoje. Mas as férias foram canceladas e, com elas, meus 15 dias de mochilagem pela América Latina.

Escrito por Renata às 17h30
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Guarda livros

Finalmente a reforma está terminando e acho que poderei tirar meus livros das caixas em que eles foram guardados há quase três anos, quando no meu antigo quarto da Conselheiro Aguiar eu já não tinha mais espaço nem pra mim. Se tudo der certo e o tampo de vidro não quebrar, acho que sábado eu arrumo tudo. E na próxima semana poderemos fazer um sarau literário na Maison Suassuná para inaugurar a Biblioteca Escritor Ignácio de Loyola Brandão. Ou seja: mais um motivo sem pé nem cabeça para tomar uma lá em casa.



Escrito por Renata às 17h23
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Eu bebo sim, estou vivendo...

 

Uma frase atribuída a algum americano famoso, não lembro quem, dizia que "a cerveja é a prova de que Deus existe e nos quer bem". Pois é, agora os cientistas provaram o que milhões e milhões de cachaceiros como nós, ao redor de todo o mundo, já estavam cansados de saber. A todos os que freqüentam bares, botecos e mercados públicos, que colocam cerveja no carrinho de compras, que arrajam desculpas só pra degustar uma loira gelada... Skole! Prost! Cheers! Saúde! (literalmente...)

Pesquisadores afirmam que cerveja tem efeito antiinflamatório

da Efe, na Áustria

Beber cerveja atua positivamente sobre os processos inflamatórios e algumas doenças crônicas, de acordo com um estudo divulgado hoje pela faculdade de Medicina da Universidade de Innsbruck.

Segundo informou em comunicado a equipe de pesquisadores, liderada por Dietmar Fuchs, da seção de biologia química dessa universidade austríaca, os experimentos realizados com células sanguíneas demonstraram que a cerveja pode bloquear algumas infecções e doenças crônicas.

As substâncias contidas nos extratos de cevada parecem ter um impacto parecido ao que se atribui ao vinho tinto, ao chá verde e ao preto no organismo, cujo efeito positivo para a saúde, sobretudo nas doenças coronárias, é reconhecido medicamente, indica o estudo.

Os cientistas destacam que o fato de beber cerveja não implica necessariamente a ingestão de bebidas alcoólicas, dado que o efeito positivo do sumo de cevada se faz notar também quando este não contém álcool e também não depende da marca da bebida que se consome.

Os autores da pesquisa asseguram que a cerveja aumenta a produção do chamado "hormônio da felicidade", a serotonina, um neurotransmissor que exerce um papel importante nos estados de ânimo das pessoas, como o humor, a ansiedade, o sonho, a dor, e até o comportamento sexual e alimentar.

O estudo também indicou que a ingestão de cerveja tem um efeito tranqüilizante sobre quem a bebe.



Escrito por Renata às 13h43
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Climatizaram o Galo

Estávamos lá uma colombina, um delegado, uma xiita muçulmana, um palhaço, um mexicano, uma cheerleader, um alienígena e uma foliã à paisana, todo mundo no Galo da Madrugada, quando a coisa mais sem noção do carnaval inteiro (e olhe que ainda eram 10h do sábado) passa diante dos nossos olhos:

Um carro de apoio com paredes de acrílico transparente, ar-condicionado, pufes coloridos e uma tela de plasma onde ilustres VIPs podiam conferir, ao vivo... o Galo da Madrugada! Jesus, isso foi pior do que o maracatu de branquinhos de Casa Forte com amplificador na batucada. Definitivamente, o carnaval não é mais o mesmo...



Escrito por Renata às 14h23
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